O rio faz parte da rotina de quem vive nas ilhas de Belém e, para muitos moradores, também pode representar uma barreira para acessar serviços de saúde. Por isso, a Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBS Fluvial) é estratégica para garantir atenção básica para mais perto da população ribeirinha. Foi o que ocorreu na comunidade Menino Deus, na Ilha Nova, onde mais de 20 moradores receberam consultas, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas e ações de educação em saúde no espaço Menino Deus.
Profissionais da UBS Fluvial orientaram moradores para prevenção e controle da hipertensão e do diabetes.
Moradora da Ilha Nova, Rejane Almeida da Silva, 54 anos, convive com diabetes e acompanha a própria saúde por meio da unidade fluvial. Para ela, ter os profissionais mais próximos de casa tornou o cuidado mais acessível e reduziu a necessidade de deslocamentos.
“Eu gosto muito porque a gente não precisa sair daqui para procurar atendimento. O médico atende a gente, orienta e encaminha para os exames quando precisa. Para nós, que moramos aqui na ilha, isso facilita muito”, garantiu Rejane.
Moradora da Ilha Nova, Rejane recebe acompanhamento e tratamento para diabetes sem ter que ir para longe de casa.
Saúde onde o morador está
A UBS Fluvial funciona como uma unidade básica de saúde adaptada à realidade das comunidades que vivem nas ilhas. A estrutura oferece consultas médicas e de enfermagem, vacinação, acompanhamento de pacientes e ações de educação em saúde, com a atuação de profissionais de diferentes áreas. Só este ano, já atendeu mais de duas mil pessoas em diversas ilhas da capital.
Entre as localidades atendidas estão Ilha Nova, Tijutuba, Ilha Longa, Paquetá e Uruboca. Os moradores podem chegar até a unidade em pequenas embarcações, como rabetas, e recebem os atendimentos dentro da própria UBS Fluvial.
Para o médico Belmiro Vinente Neto, que atende na unidade, a iniciativa coloca em prática o princípio da equidade do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando as dificuldades específicas enfrentadas pela população ribeirinha.
“A população ribeirinha enfrenta uma vulnerabilidade social e uma dificuldade de acesso muito grande, principalmente pela distância. Então, levar o serviço até essas comunidades faz toda a diferença”, explicou o médico.
O médico Belmiro Vinente entende o trabalho da UBS Fluvial como uma forma de ampliar o acesso à saúde nas comunidades ribeirinhas.
Menos deslocamento e mais acesso
Para quem vive nas ilhas, chegar a um serviço de saúde pode depender de embarcação disponível, horário, condições da maré e distância. Antes da presença da UBS Fluvial, moradores precisavam se deslocar para outros pontos da rede em busca de atendimento.
A professora Regina Ribeiro, 55 anos, moradora da Ilha Nova, conhece essa dificuldade. Antes da unidade chegar à comunidade, ela precisava ir até Cotijuba e nem sempre conseguia atendimento.
“Antes eu perdia muito tempo indo até o posto em Cotijuba. Tinha que chegar cedo, fazer o agendamento e, às vezes, não conseguia vaga. Dependendo da maré, também era difícil conseguir transporte. Hoje, com a UBS aqui, ficou muito mais fácil”, relatou a professora.
Regina mora na Ilha Nova e relata que a UBS Fluvial facilitou o acesso aos serviços de saúde e reduziu a necessidade de deslocamentos.
A presença da unidade também permite que o acompanhamento ocorra de forma mais próxima e contínua, sem que o morador precise deixar a comunidade sempre que necessita de um atendimento básico.
Hiperdia leva orientação para a rotina das famílias
Entre as ações realizadas pela equipe está o Hiperdia, voltado ao acompanhamento de pessoas com hipertensão e diabetes. A atividade combina atendimento e educação em saúde, com orientações sobre alimentação, uso correto dos medicamentos e cuidados necessários para o controle das doenças.
Profissionais de saúde orientam moradores sobre alimentação adequada e cuidados necessários para o controle da hipertensão e do diabetes.
A equipe procura relacionar as recomendações profissionais aos hábitos alimentares e à rotina dos moradores, ajudando a transformar a informação em cuidado no dia a dia.
Para Regina, esse tipo de orientação é importante porque ajuda os pacientes a entenderem como os hábitos cotidianos podem interferir no controle da pressão arterial e diabetes.
“A gente precisa saber como se alimentar melhor e equilibrar o que come. Essas orientações ajudam a gente a cuidar da pressão e também da diabetes”, afirmou Regina.
Vacinação chega às comunidades
A vacinação também faz parte da rotina da UBS Fluvial. A equipe disponibiliza os imunizantes previstos pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e realiza campanhas de vacinação nas comunidades atendidas.