Mais de mil mulheres já fizeram o teste DNA-HPV em Belém

O câncer do colo do útero continua sendo um dos maiores desafios para a saúde da mulher na Região Norte. No Pará, a doença figura entre as principais causas de morte por câncer entre mulheres e, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 2.500 novos casos devem ser registrados no estado neste ano de 2026.

Para mudar esse cenário, a secretaria de saúde de Belém passou a disponibilizar o Teste DNA-HPV em 24 unidades da Atenção Primária, oferecendo às mulheres um exame mais moderno, capaz de identificar precocemente a presença do Papilomavírus Humano (HPV), principal responsável pelo desenvolvimento do câncer do colo do útero.

O exame chega para complementar e, gradualmente, substituir o exame citopatológico convencional, conhecido como PCCU (Preventivo do Câncer do Colo do Útero) ou Papanicolau. Enquanto o exame tradicional identifica alterações nas células do colo do útero, o DNA-HPV detecta, diretamente, a presença do vírus antes mesmo que essas alterações apareçam, permitindo um acompanhamento mais precoce e seguro.

Avanço na prevenção ao câncer do colo do útero

Segundo a coordenadora de referência técnica em Saúde da Mulher da secretaria de saúde, Aline Gobbo, essa mudança representa um importante avanço na prevenção da doença.

“Diferente do PCCU, o DNA-HPV identifica a presença do DNA do vírus antes mesmo que ele provoque alterações no colo do útero. Isso significa que é possível acompanhar a mulher de forma mais segura e iniciar os cuidados precocemente, evitando que a doença se desenvolva.”, afirma Aline.

Aline esclarece que o novo exame é um avanço importante para o enfrentamento do câncer de colo de útero.

A especialista reforça que receber um resultado positivo para HPV não significa que a mulher tenha câncer.

“Na maioria das vezes, o próprio organismo elimina o vírus. No entanto, quando a infecção persiste por muitos anos, ela pode evoluir para lesões que, se não tratadas, podem se transformar em câncer. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, alerta a coordenadora.

Aline também destaca que o câncer do colo do útero costuma evoluir de forma silenciosa.

“O câncer do colo do útero, em suas fases iniciais, geralmente não causa sinais ou desconforto. Toda mulher que está na faixa etária indicada pelo Ministério da Saúde deve procurar sua Unidade Básica de Saúde para saber se já pode realizar o exame. É um procedimento simples, rápido e que pode salvar vidas”, enfatiza.

A implantação do teste faz parte da estratégia nacional de reorganização do rastreamento do câncer do colo do útero. Em Belém, a oferta começou em dezembro de 2025 e vem sendo ampliada gradativamente para novas unidades da rede municipal. Atualmente, a capital concentra mais da metade das coletas realizadas em todo o Pará, consolidando-se como referência estadual na implantação do exame, com mais de mil mulheres atendidas de acordo com o Instituto Evandro Chagas (IEC), que processa as análises laboratoriais das coletas.

Prevenção como autocuidado

A técnica em enfermagem Amanda Veiga fez o exame logo após saber da disponibilidade pelo SUS e destaca a importância da iniciativa.

“Quando fiquei sabendo que o exame estava disponível pelo SUS, não pensei duas vezes em procurar a unidade de saúde. A enfermeira explicou que eu estava dentro dos critérios e fiz o exame pela primeira vez. O que mais gostei foi que o resultado sai mais rápido do que no exame tradicional. Recomendo para todas as mulheres que podem fazer. Quanto mais cedo descobrir qualquer alteração e iniciar o tratamento, melhor”, comenta.

Para Amanda, uma das principais vantagens do novo exame é o resultado mais rápido do que o tradicional.

Quem também passou pelo exame foi Izabel Almeida Pinheiro, de 55 anos. Ela conta que fazia tempo que não realizava o preventivo e aproveitou a oportunidade para conhecer a nova tecnologia.

“Achei muito importante para mim e acredito que para todas as mulheres também. Apesar de ser um exame que deixa a gente um pouco constrangida, fui muito bem acolhida e me senti à vontade durante toda a coleta”, relatou Izabel.

Izabel, disse que se sentiu acolhida. “Fui muito bem acolhida e me senti à vontade durante toda a coleta”.

Além de ampliar a capacidade de detecção precoce, o exame oferece mais tranquilidade para as mulheres. Quando o resultado é negativo, a recomendação do Ministério da Saúde é repetir o teste apenas a cada cinco anos, conforme avaliação dos profissionais de saúde.

Quem pode fazer?

  • Pessoas com colo do útero entre 30 e 64 anos que já iniciaram a vida sexual;
  • Mulheres que estão há mais de dois anos sem realizar o preventivo ou que nunca fizeram o exame.

Documentos necessários:

  • RG;
  • CPF;
  • Cartão SUS;
  • Co