Garantir que crianças com deficiência tenham acesso aos serviços e ao suporte necessário desde os primeiros anos de vida é um dos caminhos para construir uma educação verdadeiramente inclusiva. Com esse objetivo, Icoaraci, por meio da Secretaria Executiva da Primeira Infância e do Desenvolvimento Infantojuvenil (Sepidi), em parceria com o Centro de Referência em Inclusão Educacional Especializada (Criee), realiza o Mutirão de Inclusão Criee Agosto Verde, entre os dias 11 e 14 de agosto.
A ação ocorre na Escola Municipal Avertano Rocha, localizada na Rua São Roque, no bairro do Cruzeiro, em Icoaraci, reunindo atendimento às famílias e atividades voltadas à qualificação dos profissionais da rede municipal de ensino. A iniciativa percorre diferentes pontos do município para alcançar os oito distritos administrativos de Belém e aproximar os serviços especializados das famílias.
A proposta une duas frentes que se complementam: de um lado, a formação continuada dos profissionais da educação; de outro, o atendimento direto às famílias de crianças, especialmente aquelas na faixa etária de 0 a 6 anos.


Durante o mutirão, são oferecidos serviços como orientações e acolhimento às famílias, cadastro para obtenção da Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Cipea), avaliações técnicas dos marcos do desenvolvimento infantil e da sensibilidade auditiva, além das ações de capacitação.
Para a titular da Sepidi, Juliana Menezes, levar esses serviços para o território é uma forma de diminuir barreiras e facilitar o acesso das famílias.
“Hoje estamos realizando um grande mutirão de inclusão que nasce de uma parceria fundamental entre a nossa rede municipal e a Coodenação Estadual de Políticas para o Autismo (Cepa). O objetivo dessa ação é descentralizar o atendimento e cuidar das nossas crianças desde a base, no próprio ambiente escolar. Estamos reunindo serviços essenciais em um só lugar: o cadastro da Ciptea, orientações e acolhimento para as famílias, além de avaliações técnicas dos marcos do desenvolvimento infantil e da sensibilidade auditiva.”
Inclusão começa na primeira infância
A primeira infância, período que compreende os primeiros seis anos de vida, é uma fase decisiva para o desenvolvimento da criança. É nesse período que ocorrem importantes processos relacionados à aprendizagem, à comunicação, à interação social e ao desenvolvimento de diferentes habilidades.
Por isso, identificar precocemente possíveis necessidades e oferecer orientação adequada pode fazer diferença na trajetória da criança. O mutirão busca justamente aproximar esse cuidado das famílias e da escola, criando uma rede de apoio mais integrada.
“Fazer esse trabalho na primeira infância é crucial. É nos primeiros anos de vida que o cérebro tem sua maior capacidade de desenvolvimento e adaptação. Quanto mais cedo identificamos qualquer necessidade ou alteração, mais rápida e eficaz é a intervenção. Não estamos apenas facilitando o diagnóstico ou emitindo um documento; estamos mudando a trajetória de vida dessa criança, garantindo que ela cresça com o suporte certo no tempo certo”, destaca Juliana Menezes.
Segundo a secretária, a presença dos serviços no ambiente escolar também fortalece a política municipal de inclusão.
“Trazer essa estrutura para a escola municipal é facilitar o acesso das famílias, fortalecer nossa rede de ensino e fazer com que a inclusão aconteça de verdade, com prioridade absoluta para a infância.”
Avó busca carteira para o neto
Entre as famílias atendidas em Icoaraci está a de Marly Leite, 56 anos, diarista, que acompanhou o neto José Carlos Silva, de 4 anos, para solicitar a carteirinha especial do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Moradora de Icoaraci, Marly considera importante que ações como o mutirão estejam próximas das famílias e dentro dos próprios territórios.
“Para a família, ter um atendimento como esse perto de casa facilita muito. A gente consegue buscar a documentação e também receber orientação sobre os direitos da criança. É importante que essas ações continuem, porque muitas famílias precisam de informação e nem sempre sabem onde procurar.”
Para ela, a política de inclusão também representa uma oportunidade de melhorar o atendimento das crianças na escola.
“A educação ganha muito quando os profissionais estão preparados para receber essas crianças. Quando a escola entende as necessidades de cada aluno, a criança consegue aprender melhor, conviver e se desenvolver com mais segurança.”
Formação prepara profissionais da rede municipal
Além dos atendimentos às famílias, o mutirão tem como um dos pilares a qualificação dos
