Conexão Cidadã: Belém amplia inclusão de catadores de recicláveis

Após ação na Praça Princesa Isabel, capital paraense consolida-se como referência nacional em assistência e cidadania para trabalhadores autônomos.

Os resultados da mais recente ação do programa Conexão Cidadã, realizada na última sexta-feira (17), na Praça Princesa Isabel, confirmam o avanço de Belém como uma das capitais brasileiras mais engajadas na proteção social de catadores autônomos. Neste domingo (19), o balanço da ação já aponta para a superação das metas locais, com mais de 800 atendimentos realizados desde o início do programa na capital. A iniciativa consolida uma rede que retira trabalhadores da invisibilidade e os conecta a serviços essenciais do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

Coordenado nacionalmente pela Associação Nacional dos Catadores (ANCAT), em parceria com o Banco do Brasil e o Governo Federal, o projeto conta com suporte direto da Prefeitura de Belém. A atuação ocorre de forma itinerante, utilizando uma unidade móvel equipada para oferecer escuta ativa e acolhimento multidisciplinar.

De acordo com Pamela Massoud, Secretária Executiva de Inclusão Produtiva (SEINP), a gestão atual prioriza a assistência e a dignidade dessa categoria.

“Promover assistência social, saúde e inclusão produtiva para os catadores autônomos é uma prioridade. O Conexão chega para capilarizar essas ações nos territórios com maior incidência de descarte irregular, realizando um trabalho fundamental e aliado às cooperativas que já operam em nosso município”, completou a secretária Pamela.

A coordenadora municipal do projeto, Yukie Kohata de Almeida, explicou que a grande missão é mapear e dar visibilidade ao catador individual – aquele trabalhador que atua de forma independente em seus bairros, sem vínculo com associações ou cooperativas. Segundo a coordenadora, o projeto vai a campo para entender as barreiras que impedem esses profissionais de acessar direitos básicos.

“Nossa grande intenção é apoiar o acesso integral a esses direitos. À medida que percorremos os bairros, identificamos onde eles estão e compreendemos suas dificuldades”, destacou Yukie, ressaltando ainda que a profissionalização passa pelo reconhecimento público.

“Apoiamos a identificação desses trabalhadores, distribuímos itens essenciais, como ecobags e Equipamento de Proteção Individual (EPI), para melhorar as condições de trabalho, valorizar a profissão e promover a saúde e segurança desses trabalhadores. Nós entregamos um kit com camisa, boné e colete com tarja reflexiva para o trabalho noturno. Isso é essencial para que a população compreenda que ali existe um profissional exercendo uma atividade digna.”

Dignidade e reconhecimento nas ruas

O impacto social do programa é visível nos relatos de quem foi atendido na Praça Princesa Isabel. Para a catadora Edna Cardoso, o trabalho nas ruas é a base de sua sobrevivência e deve ser respeitado pela sociedade. Ela detalhou como a atividade garante o sustento de sua família e o valor que enxerga no que faz diariamente.

Catadora Edna Cardoso sendo atendida na última ação do projeto

“Esse trabalho me ajuda a conseguir muitas coisas. Consigo garantir principalmente o sustento do dia a dia, a alimentação”, relatou Edna. A catadora ressaltou, ainda, a importância da profissão para a cidade e lamentou a visão negativa de parte da população: “O que eu observo é que todo mundo tem um preconceito sobre isso, mas este é um trabalho normal e digno, pois a gente ajuda em muita coisa.”

Belém como destaque

O engajamento local colocou Belém em posição de destaque no cenário brasileiro. Com 723 cadastros formais e ultrapassando os 800 atendimentos totais nesta semana, a cidade ocupa o 3º lugar no ranking nacional do Conexão Cidadã, atrás apenas de São Paulo (2.469) e Recife (752), e à frente de capitais como Belo Horizonte (645) e Curitiba (607). Com territórios-piloto como a Maracangalha e a Cidade Velha, o programa segue transformando a realidade de quem trabalha nas ruas, garantindo que a sustentabilidade da capital paraense passe, obrigatoriamente, pela dignidade humana