No Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio, Belém destaca os avanços do Projeto Conexão Cidadã, iniciativa que promove inclusão social, acesso a direitos e fortalecimento da atividade de catadores e catadoras autônomas na capital paraense. Implantado em janeiro de 2025, o projeto atua diretamente junto a trabalhadores em situação de vulnerabilidade, levando serviços públicos essenciais, acolhimento e acompanhamento social.
Coordenada nacionalmente pela Associação Nacional dos Catadores e Catadoras (ANCAT), a iniciativa conta com apoio do Banco do Brasil e da Secretaria-Geral da Presidência da República, além da execução local de Belém, por meio da Secretaria Executiva de Inclusão Produtiva (SEINP). As equipes do Conexão Cidadã em Belém são formadas por quatro profissionais: uma mobilizadora social — que também é catadora —, dois técnicos sociais e uma coordenação. O modelo busca garantir acolhimento humanizado, escuta ativa e aproximação direta com a realidade vivida pelos trabalhadores.
Inclusão social muda realidade de trabalhadores da reciclagem
Entre as histórias transformadas pelo projeto está a da catadora Lucidalva Lameira, de 55 anos, que atua ao lado do marido na coleta de recicláveis. Ela conta que encontrou no Conexão Cidadã acolhimento e valorização.
“Conhecer este projeto foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Foi o único lugar onde realmente me senti valorizada. Hoje, consigo manter minhas contas em dia e participo de todas as atividades do projeto”, relatou a catadora.
O projeto também fortalece o reconhecimento da atividade da reciclagem como um trabalho essencial para a sustentabilidade e para a preservação ambiental da cidade. “Minha rotina era apenas catar recicláveis para conseguir um dinheiro. Depois do projeto, tudo mudou. Ganhei reconhecimento, apoio e aprendi sobre meus direitos e sobre a importância desse trabalho para o meio ambiente. Hoje tenho mais dignidade e me sinto parte da sociedade”, destacou a catadora.
Catadora Lucidalva Lameira
Belém é a terceira cidade brasileira que mais aderiu ao programa, consolidando-se como referência nacional na execução do projeto. Desde o início das atividades, mais de 900 catadoras e catadores já foram acolhidos pelas equipes do Conexão Cidadã na capital paraense, fortalecendo o acesso à assistência social, saúde, documentação e oportunidades de geração de renda.
As ações ocorrem de forma itinerante em oito territórios mapeados da cidade, por meio de uma unidade móvel equipada para atendimentos multidisciplinares. Além do acesso aos serviços do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e do Sistema Único de Saúde (SUS), os participantes recebem orientações sobre moradia, fortalecimento profissional e inclusão produtiva.
A secretária executiva de Inclusão Produtiva da Secretaria Municipal de Zeladoria Urbana (Sezel), Pamela Massoud, ressaltou que o Conexão Cidadã tem papel fundamental na promoção da cidadania e da valorização dos trabalhadores da reciclagem em Belém. Segundo a representante, o projeto fortalece o acesso a direitos e amplia oportunidades de inclusão social e produtiva para catadores em situação de vulnerabilidade.
“Mais do que assistência imediata, o projeto constrói caminhos permanentes de inclusão social e econômica. Nosso objetivo é consolidar políticas públicas que fortaleçam a atividade dos catadores e catadoras”, finalizou a secretária.