Malhação de Judas na Cremação destaca luta contra feminicídio

Programação reuniu moradores durante dois dias de celebração com cultura, fé e reflexão social, mantendo viva a tradição de 50 anos na comunidade.

Mais do que uma festa da cultura paraense, a Malhação de Judas, no bairro da Cremação, é um ato de resistência e, na edição deste ano apoiada pela Prefeitura de Belém, trouxe como tema o fim do feminicídio, reunindo moradores e visitantes em uma celebração que mistura cultura popular, fé e crítica social.

A Malhação de Judas se destaca pela confecção de bonecos produzidos pelos próprios moradores. As figuras simbolizam temas e problemas enfrentados pela sociedade, como preconceito, racismo e questões de saúde pública. Durante o evento, os bonecos são “malhados” pelo público em um ato simbólico.

Com mais de 50 anos de história, a Malhação de Judas, no bairro da Cremação, foi realizada nos dias 3 e 4 de abril, com programação gratuita e atividades para todas as idades. Neste ano, em especial, sete associações se reuniram para a realização do evento.

A Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Secult), tem apoiado a festividade, fortalecendo a identidade cultural da cidade e valorizando a participação dos moradores.

Para o diretor de ações culturais da Secult, Glaucio Sapucahy, a Malhação de Judas é parte da cultura popular belenense e criou um espaço especial para as crianças: “As crianças têm um momento especial com diversas brincadeiras e, além disso, os jovens se dedicam a participar do velório noturno, que acontece com diversos shows”, afirma.

Patrícia Barcelar é moradora da Cremação e aproveitou com a neta os dois dias de festividade.

Patrícia Barcelar é uma das moradoras que participaram durante os dois dias com a neta. “Eu sempre morei aqui, cresci participando e agora trouxe a minha neta para participar, porque resgata as brincadeiras das crianças. Elas brincam na rua, se divertem, tem dança, brincadeira, ganham chocolate e ainda podem ver o coelhinho da Páscoa. Eu estou muito feliz”, disse Patrícia, bastante satisfeita com o evento.

Ainda sobre a escolha do tema, o combate ao feminicídio, Patrícia contou que, enquanto mulher, é muito importante se sentir ouvida e que a escolha do tema foi acertada. “A gente se sente mal de andar sozinha na rua. O número de mortes de mulheres tem crescido e isso nos entristece, então é muito importante falar sobre o tema e que a gente continue, porque não tem nada melhor do que se sentir ouvida”, enfatizou.