Belém, por meio da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), em parceria com o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), deu início a mais uma etapa do projeto “Porto Seguro”, que promove um espaço de diálogo e conscientização entre jovens, adolescentes e seus responsáveis atendidos pela Política de Assistência Social. O encontro foi realizado nesta sexta-feira, na unidade do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Ilka Brandão Barbosa, no Guamá, em Belém.
O projeto é uma iniciativa do TJPA, coordenado pela Coordenadoria Estadual de Infância e Juventude (Ceij), que desenvolve ações voltadas ao público infantojuvenil por meio de parcerias institucionais. As equipes atuam nos Creas de Belém promovendo rodas de conversa e espaços de acolhimento.
Nesta etapa, a roda de conversa foi direcionada às mães de jovens que cumpriram ou cumprem medidas socioeducativas e teve como tema “Responsabilidade afetiva e autonomia: diálogo, limites e corresponsabilidade nas relações familiares”, focando em conscientizar essas mulheres sobre a importância da responsabilidade afetiva, do diálogo, do estabelecimento de limites e do desenvolvimento da autonomia, contribuindo para o fortalecimento dos vínculos familiares e para o processo socioeducativo.
Nas próximas etapas, a iniciativa terá como público-alvo jovens entre 15 e 19 anos em cumprimento de medidas socioeducativas de liberdade assistida (LA), prestação de serviços à comunidade (PSC) e jovens do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi).
Cássia Romana, coordenadora do setor de atendimentos de média complexidade da Funpapa, é a principal articuladora das ações junto ao projeto. Ela conta que a parceria com o TJPA existe há mais de 3 anos, e que após um período de pausa as ações do “Porto Seguro” retornam aos Creas de Belém.
Cássia Romana, coordenadora do setor de atendimentos de média complexidade da Funpapa
“Após uma breve interrupção ocorrida em meados do ano passado, retomamos as atividades recentemente, sendo o encontro de hoje aqui no Creas Ilka Brandão o marco inicial deste novo ciclo. Contamos com um cronograma estabelecido até o fim deste ano, que contempla a realização de, em média, três encontros em cada Creas. Ao término de cada etapa, realizamos avaliações periódicas com o intuito de aprimorar e qualificar continuamente o processo.”
Acolhimento para além do jovem
Igor Lima, representante do projeto “Porto Seguro”, explica que o primeiro foco da atividade foi direcionado ao autocuidado e acolhimento das mães de jovens em processo socioeducativo. Ele ressalta a importância de espaços de acolhimento para servir como rede de apoio para essas mulheres.
Igor Lima, representante do projeto “Porto Seguro”
“Considerando o contexto de sobrecarga e vulnerabilidade que essas famílias enfrentam, a importância desta ação reside no acolhimento. Nosso objetivo é proporcionar um espaço de escuta e reflexão que permita a construção de redes de apoio e a troca de experiências vivenciadas no cotidiano das medidas socioeducativas. Pretendemos, assim, aproximar esse público dos serviços oferecidos pelo Creas e pelo projeto, consolidando um atendimento humanizado e voltado ao cuidado integral.”
Ele destaca que nesta ação os facilitadoras buscaram promover o autoconhecimento e o fortalecimento de vínculos entre as participantes, estimulando uma reflexão sobre a rotina de autocuidado dessas mulheres e a qualidade de suas redes de apoio, visto que são mães de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas.
“O projeto compreende que, para atender plenamente a criança e o adolescente, é necessário também cuidar daqueles que exercem o papel de cuidador. Nosso público-alvo abrange, portanto, crianças, adolescentes, seus familiares e os profissionais que atuam diretamente com eles.”
Espaço para compartilhar experiências
Após receber o convite pela equipe do Creas, Rosangela Alves, 58 anos, participou do encontro e compartilhou suas experiências e angústias na roda de conversa. O filho de 17 anos cumpriu medidas socioeducativas por mais ou menos 8 meses no ano passado. Ela conta como foi a experiência de participar do projeto pela primeira vez.
Rosangela Alves, 58 anos, participante do encontro
“Hoje focamos em analisar minhas ideias em uma nova área, mais no autocuidado. Muitas vezes, estamos tão atarefadas que não temos tempo para nada, nem para processar nossos sentimentos. Me senti muito acolhida e feliz por participar. Pude expressar o que sentia e me sinto muito mais leve. Foi um momento de cuidado que raramente encontro no meu dia a dia.”
Rosangela ainda conta que, em meio às demandas da semana, dificilmente encontra tempo para se cuidar e receber acolhimento, reforçando a importância da experiência para ela.
“Minha rotina é muito intensa: cuido da casa, da minha mãe, trabalho e, quando retorno para casa, ainda preciso cuidar da casa e do meu filho.”