A Rede Municipal de Ensino de Belém ampliou a participação na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, que começou neste sábado, no Hangar, em Belém. Além das apresentações de estudantes na Arena Multivozes, a secretaria de educação mantém um estande próprio para apresentar projetos desenvolvidos nas escolas, práticas pedagógicas, produções de alunos e professores e ações de incentivo à leitura.
Durante os nove dias de programação, o espaço da secretaria recebe contações de histórias, rodas de conversa, oficinas, exposições, jogos literários, lançamentos de livros e relatos de experiências realizadas na rede municipal. A ideia é aproximar o público das iniciativas desenvolvidas dentro das escolas e mostrar como a leitura pode fazer parte da formação dos estudantes.
Para a secretária executiva pedagógica, Karina Portal, a participação ampliada da rede municipal na feira permite mostrar experiências que muitas vezes ficam restritas ao ambiente escolar.
“A Feira do Livro é um espaço muito importante para a gente mostrar aquilo que é produzido dentro das nossas escolas. Temos alunos, professores e servidores que desenvolvem projetos muito bonitos, e trazer essas experiências para um espaço como esse é uma forma de valorizar esse trabalho e, principalmente, incentivar a leitura e a formação de novos leitores”, afirma Karina Portal.

A programação também valoriza manifestações culturais e diferentes identidades presentes nas escolas municipais. No palco, estudantes apresentam danças, carimbó, brega, poesia, cantos indígenas e outras expressões artísticas. Entre os destaques estão apresentações inspiradas na cultura paraense, no imaginário amazônico e nas tradições de diferentes comunidades.
Um dos exemplos está na participação da Escola Municipal Pedro Demo, que apresenta dança Warao e cantos típicos de pássaros. Também estão previstas atividades relacionadas à cultura afro-brasileira, como o Desfile de Beleza Afro e oficinas de colar africano e grafismo marajoara.
Para Nanci Cartágenes, coordenadora de Educação Escolar de Indígenas, Imigrantes e Refugiados, a presença dessas manifestações na feira contribui para que os estudantes reconheçam e valorizem diferentes culturas.
“É muito importante que essas culturas estejam presentes em um espaço como a Feira do Livro. Quando uma criança apresenta a sua cultura, a sua dança ou os seus cantos, ela também está contando uma história. É uma maneira de fortalecer a identidade, promover o respeito à diversidade e mostrar que a escola é um espaço onde diferentes saberes podem se encontrar”, explica Nanci.

Além das atividades culturais, o estande abre espaço para produções literárias feitas dentro da própria rede municipal. Ao longo da programação, serão lançados livros de estudantes e professores, além de projetos que aproximam crianças e jovens da produção escrita.
No dia 3 de setembro, por exemplo, estão previstos o lançamento de “Juca: O menino que seguiu o sol”, produzido pela Escola Municipal Palmira Lins de Carvalho, e o início do projeto Academia de Letras de Alunos Escritores de Mosqueiro (ALMOS), que também terá lançamento de publicação de um professor da rede.
A programação ainda apresenta experiências que utilizam novas tecnologias no processo de aprendizagem, como o projeto “Stop Motion em Sala de Aula”, da Escola João Carlos Batista, e o Conexão Amazônia Digital, desenvolvido na Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI).
Outro eixo presente na feira é a promoção de ambientes escolares mais seguros e acolhedores. O psicólogo participa da programação com o lançamento de um guia prático de orientação contra o bullying e o cyberbullying. A publicação reúne orientações para ajudar a comunidade escolar a identificar situações de violência e estabelecer estratégias de prevenção, inclusive diante de agressões que acontecem no ambiente virtual.
“O bullying e o cyberbullying precisam ser discutidos dentro da escola porque afetam diretamente o desenvolvimento e a aprendizagem dos estudantes. O guia foi pensado justamente para oferecer uma orientação prática para professores, servidores, alunos e famílias, para que todos saibam identificar essas situações e agir de forma adequada”, explica Emanuel Campos.

A inclusão também ganha espaço na programação. No dia 4 de setembro, professores das Salas de Recursos Multifuncionais apresentam experiências desenvolvidas na rede municipal. O Centro de Referência em Inclusão Educacional (CRIE) também promove contação de histórias, atividades no Estúdio de Inclusão e uma apresentação de carimbó em Libras.
No palco, haverá ainda apresentações do grupo de dança em cadeira de rodas do CRIE, dos palhaços surdos Cleber e Taciele e um coral em Libras formado por alunos do curso oferecido pelo centro.
