SAMU 192 Belém treina servidores para salvar vidas nas escolas

Para quem deixa uma criança na escola todos os dias, saber que o ambiente está preparado para lidar com situações de emergência tranquiliza a família e responsáveis. É justamente com esse objetivo que a Lei nº 13.722/2018, conhecida como Lei Lucas, estabelece a capacitação em primeiros socorros para profissionais que atuam em instituições de ensino e recreação infantil.

Em Belém, o SAMU 192, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semec), realiza treinamento para servidores da rede municipal de ensino. A formação ensina como reconhecer situações de emergência, acionar corretamente o serviço de atendimento e prestar os primeiros cuidados até a chegada da equipe especializada.

Servidores da educação participam do treinamento sobre primeiros socorros realizado pelo SAMU 192 Belém.

A Lei Lucas surgiu após a morte de Lucas Begalli, uma criança de Campinas (SP) que se engasgou durante uma excursão escolar e não resistiu. A legislação passou a reforçar a necessidade de que profissionais da educação estejam preparados para agir diante de situações que podem acontecer dentro do ambiente escolar.

A preparação envolve aulas teóricas e práticas sobre diferentes tipos de ocorrências, como engasgos, desmaios, convulsões, paradas cardiorrespiratórias, quedas e acidentes envolvendo objetos introduzidos no ouvido, nariz ou garganta.

No dia 19 de agosto, ocorreu uma nova etapa da formação na Central do SAMU 192 Belém para profissionais da rede municipal de ensino para atividades teóricas e práticas.

Segundo o coordenador-geral do SAMU 192 Belém, John do Vale, a capacitação busca preparar os profissionais para reconhecer a gravidade de uma situação e tomar as primeiras providências de maneira adequada.

“É importante que o profissional saiba identificar aquilo que é grave e possa prestar o primeiro socorro imediato. O treinamento contempla situações comuns no ambiente escolar, como engasgo, desmaio, convulsão e parada cardíaca”, explicou John.

John do Vale, coordenador-geral do SAMU 192 Belém, explica que a parceria com a Semec amplia a preparação nas escolas e que “o SAMU também tem uma responsabilidade educacional”.

A parceria entre o SAMU e a Semec já alcançou mais de 40 escolas e treinou mais de 800 profissionais diretamente envolvidos com a educação, segundo o coordenador. Além das escolas públicas municipais, instituições ou comunidades interessadas na formação podem solicitar a capacitação à Secretaria Municipal de Saúde, que avalia a possibilidade de atendimento conforme a logística e a disponibilidade das equipes.

Conhecimento para agir nos primeiros minutos

A instrutora do Núcleo de Educação Permanente do SAMU 192 Belém, enfermeira Lilianna Fróes, explica que um dos principais objetivos é ensinar procedimentos que podem fazer diferença enquanto o atendimento especializado não chega.

“O essencial é identificar a emergência, acionar o socorro corretamente e saber prestar os primeiros cuidados. Isso inclui a reanimação cardiopulmonar e as manobras de desengasgo, que, quando realizadas corretamente, podem salvar vidas”, destacou Lilianna.

A instrutora Lillianna Frois demonstrou técnicas corretas de primeiros socorros e a importância de agir com segurança até a chegada do atendimento especializado.

Nas aulas, os servidores também aprendem o que não devem fazer. A orientação é importante porque, em uma situação de desespero, uma tentativa de ajudar sem conhecimento pode agravar o quadro da vítima.

Importância da preparação

Para quem trabalha há anos dentro da escola, o treinamento também representa uma oportunidade de rever práticas que eram realizadas antes mesmo de existir conhecimento adequado sobre primeiros socorros.

O professor Edir Moraes, que atua na gestão da Escola Florestan Fernandes e tem 18 anos de experiência na educação, conta que já precisou lidar com situações de emergência envolvendo alunos.

“Com as formações sobre a Lei Lucas, conseguimos perceber o quanto, às vezes, agimos de forma incorreta”, relatou Edir, após receber orientações da equipe do SAMU 192.

Professor Edir Moraes destaca a importância de saber acionar o SAMU diante de uma situação de emergência.

A capacitação, portanto, não busca transformar educadores em profissionais de saúde. A proposta é fazer com que eles saibam reconhecer uma situação de risco, manter a calma, acionar o serviço correto e aplicar procedimentos básicos de primeiros socorros enquanto aguardam a chegada do atendimento especializado.

Segurança para quem cuida dos pequenos

A preocupação é ainda maior nas unidades que atendem crianças pequenas, que estão mais sujeitas a acidentes durante atividades, brincadeiras e momentos de alimentação.

A diretora da Escola do Mundo Encantado, Jacirema de Souza, trabalha diariamente com crianças de 2 a 5 anos e considera essencial que a equipe esteja preparada.