Bosque completa 143 anos como refúgio da Amazônia

Em meio ao concreto, ao movimento intenso e à rotina acelerada de Belém, existe um lugar onde a cidade diminui o passo. Entre árvores centenárias, trilhas, lagos e animais da fauna amazônica, o Bosque Rodrigues Alves – Jardim Zoobotânico da Amazônia completa 143 anos.

Fundado no século XIX, o espaço se consolidou como um dos mais importantes patrimônios naturais, históricos e afetivos da capital paraense.

Bosque foi criado no século XIX e se consolidou como um dos mais importantes patrimônios naturais de Belém

Inaugurado como Parque Municipal em 25 de agosto de 1883, o Bosque ocupa atualmente uma área de 15 hectares, no bairro do Marco. Inspirado em grandes áreas verdes de Paris, o espaço passou, ao longo de sua história, a representar um pedaço da floresta amazônica preservado dentro da área urbana de Belém.

A diretora do Bosque Rodrigues Alves, Ellen Eguchi, diz que o espaço é um fragmento da floresta amazônica inserido em plena cidade.

“Ele é uma ilha de vegetação cercado de árvores nativas. O Bosque tem uma importância tremenda, tanto em nível de flora – a gente tem o Banco de Sementes que abastece a cidade junto com a Granja Modelo -, quanto na parte faunística”, explica.

São mais de 10 mil árvores de mais de 300 espécies

Eguchi explica que os animais que vivem no local em regime de semiliberdade ou cativeiro e também contribuem para o funcionamento do ecossistema. O Bosque ainda exerce uma função de acolhimento e recuperação da fauna.

“Temos uma responsabilidade social de recepção de animais resgatados na Região Metropolitana de Belém, atendimento, acondicionamento, soltura ou incorporação para o plantel”, afirma.

Uma floresta na cidade

Mais de 10 mil árvores, de mais de 300 espécies, compõem a paisagem do Bosque. Mais de 80% dos 15 hectares são ocupados por áreas verdes, criando um ambiente de forte presença amazônica em uma das regiões mais movimentadas da capital.

O espaço abriga 435 animais

A biodiversidade também está presente na fauna. O espaço abriga 435 animais, entre espécies que vivem em cativeiro e outras que circulam livremente ou em semiliberdade pela área de mata.

Aves, cágados, macacos-prego, cobras, peixes, quatis, capivaras, jacarés e jaguatiricas estão entre os animais encontrados no local.

Além de ser uma opção de lazer para famílias e visitantes, o Bosque desempenha um papel importante na educação ambiental. Escolas e grupos participam de visitas guiadas e atividades que aproximam crianças e adultos do conhecimento sobre a fauna, a flora e a necessidade de preservar a biodiversidade amazônica.

Macacos do Bosque Rodrigues Alves em seu habitat natural

Em 1982 o Bosque foi reconhecido como patrimônio natural tombado do município de Belém, em razão de suas características ecológicas e estéticas.

Recintos foram revitalizados

A diretora do Bosque, Ellen Eguchi, explica que desde que a atual gestão municipal assumiu, todos os recintos foram revitalizados e reformados

De acordo com Ellen Eguchi, desde que a atual gestão municipal assumiu, todos os recintos já existentes no parque foram revitalizados e reformados.

“Havia seis recintos que estavam sem animais por causa da destruição do local. A gente conseguiu revitalizar, reestruturar, reformar e inserir animais novamente.”

Um dos espaços recuperados foi o aquário, que permaneceu mais de 20 anos inativado. Hoje, o local abriga exemplares de répteis e anfíbios amazônicos.

Também foram revitalizados o recinto da capivara, entregue na época da 30ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudança do Clima (COP 30), e o recinto aberto das araras. As aves chegaram de outros municípios, como Breves e Santarém, e não têm condições de ser devolvidas à natureza.

As duas araras apresentam problemas nas asas e chegaram ao Bosque com fraturas. Uma delas tem uma fratura antiga; a outra, proveniente de Santarém, está em processo de recuperação. Por não poderem ser soltas, as aves permanecem em um recinto aberto.

Também fazem parte dos espaços revitalizados o Lago dos Cágados, o recinto da coruja murucututu, o recinto dos quatis e o Recinto Misto de Aves Pequenas, que abriga jandaias, periquitos e maracanãs.

O Bosque também mantém espaços para jaguatiricas, jabutis, papagaios, corujas-do-mato e capivaras.

“Todos foram revitalizados nessa gestão. Eles estavam todos sem condições, inclusive de colocar bicho, estavam todos com furos. E aí agora todos têm bichinhos dentro”, afirma Eguchi.

Aniversário com educação ambiental

A diretora do Bosque, Ellen Eguchi, explica que desde que a atual gestão municipal assumiu, todos os recintos foram revitalizados e reformados