Insulina glargina amplia opções de tratamento para diabéticos em Belém

Belém está avançando na preparação da rede municipal de saúde para a transição gradual da insulina NPH para a insulina glargina, medicamento de ação prolongada destinado, inicialmente, a pessoas com diabetes dentro das faixas etárias definidas pelo Ministério da Saúde. A mudança busca ampliar a segurança, a praticidade e a qualidade do tratamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A capacitação dos profissionais ocorreu na Universidade da Amazônia (Unama), no campus Alcindo Cacela, reunindo equipes da rede municipal para orientações sobre a nova insulina, as canetas aplicadoras e os cuidados necessários durante o processo de transição.

A glargina é uma insulina de ação prolongada e, diferentemente da NPH, que em alguns tratamentos precisa ser aplicada duas vezes ao dia, pode proporcionar cobertura por aproximadamente 24 horas com uma aplicação diária, conforme indicação médica. A mudança, no entanto, será feita de forma gradual e de acordo com os critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Segundo a farmacêutica da Atenção Primária à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), Miracy Rebelo Tupinambá, a mudança pode representar mais segurança e praticidade para os pacientes, especialmente aqueles que apresentam maior vulnerabilidade clínica.

“A glargina vai ser aplicada uma vez ao dia. Isso traz para o paciente uma segurança e uma eficácia maior no tratamento, principalmente considerando a vulnerabilidade clínica que alguns pacientes apresentam, como os idosos”, explicou Miracy.

Miracy Rebelo reforça que a insulina glargina vai substituir a NHP de forma gradual e proporcionar mais praticidade e segurança aos pacientes.

A referência técnica e coordenadora da Assistência Farmacêutica da Sesma, Elaine Suana Brandão Lopes de Oliveira, explica que a NPH não será retirada imediatamente do SUS.

“Vai acontecer de forma gradativa, de acordo com as faixas etárias estabelecidas pelo Ministério da Saúde. O objetivo é trabalhar para a melhoria da qualidade dos pacientes diabéticos”, afirmou Elaine.

Elaine explica que a transição da NPH para a insulina glargina ocorrerá de acordo com as faixas etárias estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Inicialmente, a estratégia contempla pessoas de 2 anos até menores de 18 anos com diabetes tipo 1 e pessoas com 70 anos ou mais com diabetes tipo 1 ou tipo 2. O processo depende da avaliação e do acompanhamento da equipe de saúde.

Caneta facilita aplicação

Além da mudança na insulina, a nova estratégia também envolve a utilização de canetas aplicadoras. Durante a capacitação realizada na Unama, os profissionais receberam orientações sobre o funcionamento e o manuseio do dispositivo.

O farmacêutico Valdemir Cordeiro de Paula, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), participou da formação e explicou que a caneta torna a aplicação mais simples e segura para o usuário.

“O conteúdo já fica dentro da própria caneta. É só colocar a agulha, selecionar o número de unidades e fazer a aplicação de forma segura. O manuseio é mais fácil e seguro para o paciente”, destacou Valdemir.

Segundo Valdemir, a nova tecnologia também pode contribuir para reduzir episódios de hipoglicemia em alguns pacientes.

Mais autonomia para quem vive com diabetes

Para a referência técnica de Doenças Crônicas Não Transmissíveis da Sesma, Maria Fernanda Costa, a mudança representa um avanço na assistência às pessoas que convivem diariamente com o diabetes.

“A principal mudança é trazer mais praticidade e conforto para o tratamento, com a aplicação da glargina uma vez ao dia e maior facilidade no uso das canetas. Isso pode facilitar a rotina, melhorar a adesão e proporcionar mais autonomia e segurança para o paciente”, enumerou Maria Fernanda.

A profissional reforça que a transição não deve ser feita por conta própria. Cada paciente será avaliado e orientado pela equipe responsável pelo acompanhamento do tratamento.

A capacitação realizada na Unama faz parte da preparação da rede municipal para a implementação da nova estratégia. A formação permite que os profissionais conheçam as características da glargina, aprendam sobre o uso das canetas e estejam preparados para orientar os pacientes durante a mudança.

“A chegada da insulina glargina representa mais uma conquista na qualificação da assistência, trazendo mais segurança, praticidade e qualidade de vida aos pacientes atendidos pelo SUS”, destacou Maria Fernanda.

Para Maria Fernanda, este é um passo importante de Belém para fortalecer o cuidado com as pessoas que vivem com diabetes.

Serviço

Pacientes inicialmente contemplados

  • Pessoas de 2 anos até menores de 18 anos com diabetes tipo 1;