Em meio ao trânsito intenso de Belém, poucos minutos podem fazer diferença para quem precisa de atendimento de urgência. Para reduzir o tempo de chegada até o paciente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) utiliza as motolâncias, motocicletas conduzidas por profissionais capacitados para realizar o primeiro atendimento em ocorrências específicas.
Apesar de o serviço já existir há mais de uma década no município, a utilização das motolâncias ainda é pouco conhecida por parte da população. O veículo funciona como uma unidade de interceptação rápida: por ser menor e mais ágil que uma ambulância, consegue enfrentar congestionamentos e acessar locais onde veículos maiores podem encontrar dificuldades.
Atualmente, o Samu 192 Belém conta com seis motocicletas ativas. Os profissionais que atuam no serviço são conhecidos como “anjos” e passam por capacitação e recertificação periódicas para exercer a função.

Foi justamente para atualizar e qualificar esses profissionais que a Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Samu 192, em parceria com a Guarda Municipal de Belém, promoveu o Curso de Recertificação de Condutor de Motolância. A capacitação teve carga horária de 70 horas e reuniu atividades teóricas e práticas.
Segundo Carmem Célia Pinheiro André, coordenadora do Núcleo de Educação Permanente do Samu 192, a formação é uma exigência para manter a qualificação dos profissionais que atuam no serviço.
“Temos a obrigação legal de certificar e recertificar todos os trabalhadores que atuam no Samu 192. Esse curso de condutor de motolância é obrigatório, e deve ser realizado a cada dois anos.”

A capacitação começou no dia 10 de agosto, com aulas teóricas realizadas no auditório do Samu 192. Nessa etapa, os profissionais receberam orientações sobre legislação, regras de trânsito e utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs).

A parte prática foi realizada no estacionamento do Parque da Cidade e, ao longo da capacitação, os profissionais também passaram por atividades práticas em diferentes ambientes. O último treinamento ocorreu na sexta-feira, 14, em Mosqueiro, encerrando a programação do curso.
Durante as atividades práticas, os participantes passaram por pistas com obstáculos, exercícios de frenagem, manobras, velocidade, equilíbrio, subidas e descidas, além de atividades voltadas à direção defensiva.
A estrutura também permite que os profissionais sejam avaliados durante as manobras. Ao final, o desempenho determina se o participante está apto a receber a certificação.



Quem pode atuar na motolância?
A função de condutor de motolância não é restrita a uma única categoria profissional. Técnicos de enfermagem e enfermeiros podem atuar como “anjos”, desde que estejam vinculados à rede de urgência e emergência e cumpram os requisitos necessários para a função. Entre as exigências estão a habilitação para condução de motocicletas, aptidão física e a realização da capacitação específica.
Antes do treinamento, os profissionais também passam por avaliação de saúde ocupacional para verificar se possuem condições físicas adequadas para conduzir a motocicleta durante os atendimentos.
A capacitação reuniu 16 profissionais que já atuam no Samu e passaram pela recertificação, além de integrantes da rede municipal de urgência e emergência e profissionais de municípios vinculados à Central de Regulação de Belém.
Por que a motolância é tão importante?
Para quem está esperando atendimento de emergência, a principal vantagem da motolância é a rapidez. O técnico de enfermagem e condutor de motolância Jailson Oliveira Primo atua há cerca de cinco anos como “anjo” e destaca que o trânsito de Belém torna a motocicleta uma ferramenta importante para reduzir o tempo de chegada ao local da ocorrência.
“A moto é um veículo de interceptação rápida: a gente consegue subir calçada, a gente consegue chegar muito mais rápido no local do acidente do que uma ambulância.”

