XXV Festival de Ópera do Theatro da Paz estreia em grande estilo com ‘Os Heróis’

CULTURA E DIVERSÃO
XXV Festival de Ópera do Theatro da Paz estreia em grande estilo com ‘Os Heróis’

Obra original do paraense Meneleu Campos volta ao palco do ‘Da Paz’ nos próximos dias 24 e 26 de maio, o festival celebra 25 anos em 2026

Por Lorena Saraiva (SECULT)
23/05/2026 08h00

Montagem narra conflitos familiares dentro da família Dedomini, no contexto da dominação austríaca na Lombardia, na Itália

A abertura da 25ª edição do Festival de Ópera do Theatro da Paz, na noite desta sexta-feira, aconteceu em grande estilo com a estreia mundial da ópera “Os Heróis”. A composição do paraense Meneleu Campos retrata conflitos familiares em um drama ambientado na cidade de Milão, na Itália, em março de 1848, durante a dominação austríaca na Lombardia. Outro momento especial da noite foi a homenagem para figuras emblemáticas da história do festival. 

Uma placa comemorativa pelos 50 anos de trabalhos prestados foi entregue em mãos ao cenotécnico e cenógrafo Ribamar Diniz pelos 52 anos de atuação profissional; ao iluminador Rubens Almeida, pelo 25 anos; à professora e pianista da orquestra sinfônica, Ana Maria Adade; ao maestro do coro, Vanildo Monteiro e ao criador do festival de ópera, Gilberto Chaves. 

O diretor cênico de “Os Heróis”, Flávio Leite destacou sobre o retorno do festival. “Para mim, especialmente, é uma alegria muito grande voltar ao festival agora como diretor cênico da montagem. Eu já participei de edições anteriores como cantor lírico e voltar nesse momento de comemoração de 25 anos é uma alegria gigantesca”.

“Todos nós, envolvidos com a montagem, estamos completamente apaixonados pela música dessa obra. Eu ouso dizer que é uma das óperas de compositores brasileiros e estes, especialmente, paraenses, mais bonitas que eu já ouvi. É realmente uma música fortíssima, inspiradora, com melodias lindas que a gente sai do teatro cantando, mesmo ouvindo pela primeira vez”, conclui o diretor. 

A narrativa se desenrola dentro da família Dedomini, no contexto da dominação austríaca na Lombardia. O conde Folco permanece fiel ao governo invasor, enquanto seus filhos aderem à luta pela libertação italiana. Ao mesmo tempo, nasce o romance proibido entre Alessandra, filha do conde, e o oficial austríaco Max Von Danka.

A soprano solista Thayna Sousa falou sobre a construção de sua personagem. “Exigiu muita responsabilidade e dedicação por não ter gravação, não ter referência, exige um estudo histórico, linguístico, para além da partitura. São informações que se conectam ao trabalho de pesquisa, é muito mais profundo do que qualquer outro que já exista”, explica. 

“Eu faço uma personagem feminina, que para sua época é muito firme, decidida. Ela escolhe o caminho dela, paga o preço. Se trata também de um empoderamento feminino, ainda que em 1848, ela é bem consciente de todo o processo”, disse a intérprete.

Celebração – A diretora geral e de produção do festival, Nandressa Nunez, comenta